sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Diálogo de cínicos



Na verdade, é que dentro corpo humano habita uma humanidade inteira, com seus sistemas filosóficos e metafísicos. Já falei que um dia me mordeu no coração um demônio sem nome que envenenou o sangue e inflamou o corpo, não foi?
Pois bem, alguns chamam-no de Ciúmes... mas, prefiro não dar nomes aos porcos, pois ele retira o pior da gente, e todo o rancor e a possessividade de um ser humano vem à tona.

Descobri que neste mesmo universo escuro, desequilibrado, existe vida inteligente habitando nele. Um homem alto, louro, olhos claros, rosto largo e sorriso maroto encrustado de malicia. Fuma e bebe como costumeiramente.Veste terno de qualidade e (acreditem!) abotoaduras. Quem usa abotoaduras, hoje em dia? ora, meu amigo Oskar!

Esse Oskar desdenha de todas as teorias, todas as ideologias, todos os sistemas, e apesar de todas (toda mesmo!), ele me faz um bem danado! Sim, ele é um mulherengo, cabra safado, gosta de boa comida, farra e belas mulheres. Seu pensamento consiste no fundamental: sentir prazer e fazer o bem sem posar de bom. Um certo grau de apatia, mas quem se importa? Grande calhorda, ele é... O meu cafajeste preferido!

Quero ser pupilo deste homem, e não teria problema em ser seu amante, mas ele não é dado a dormir com rapazinhos.
(Risos)

Este "meu" homem, já que ele não é de nada nem de ninguém, vive nas sombras da boemia e estive a conversar com ele nesse hipocampos por ai, um dia desses, depois das mordidas do demônio sem nome no solo miocárdio:

 - Ora, garoto, abra mão desta mulher... ela nunca será sua! - disse Oskar.
 - Mas eu a amo e a quero para mim, Deveria sorrir apenas para mim... Mataria um por ela!
 - Ouça, Amon, ninguém o respeitará por amor ou por medo. Se o fizessem não seria por isso, pelo controle, isso se chama Justiça! O poder, o verdadeiro poder, vem pela Clemência. Portanto, deixe-a livre. Não mate seu oponente, seja generoso com ele. É através da clemencia e da generosidade que impérios inteiros se erguiam acima das massas.

Fato é que Oskar entrou em minha vida através das portas da frente da guerra e mesmo que fugisse, uns 5 minutos depois da meia noite, sairia pela mesma porta que entrou, com a dignidade que só ele transpira. O cara rasteja no lodo da minha desumanidade e loucura e consegue sair limpo do outro lado. Acho que até o imagino no seu conversível, com seus sapatos envernizados e um broche de um partido politico escuso na lapela. Mistura generosidade ao cinismo decadente de um homem do mundo, acostumado a ver todas as misérias para que não se passe por virtuoso. Não, virtuoso não! nem esse mundo sem governo o é... quanto mais ele!

 - Deixe os outros sorrirem pra quem quiser... Pra que queres um sorriso apenas teu? Enjoarias, de fato! Aprenda uma uma coisa, filho, a vida é ter e largar, ter e largar, ter e largar... Afinal é disso que tratam todos os sistemas complicados e falíveis, certo? - finaliza Oskar, com o sorriso mais cínico que acostumou-se a dar.

Ah! Oskar! Admiro-te! tens um casamento falido, e algumas empresas, todas variantes, mais ou menos promissoras, com o mesmo fim: a banca rota.

Foi assim que eu deixei a mulher amada pra ficar com a amiga.

Graças a Oskar!

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